quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

.para a Nathalia de ontem

Estranho escrever pra você. Que eu não sei onde está. Que não sei se existe ainda.
Na verdade, há pouco que consegui destacar você de mim. Ou ainda nem tenha conseguido fazer isso completamente.
E esta é mais uma tentativa.
Mais uma despedida.
Difícil...
Vamos lá, colocar em metáforas para facilitar o entendimento. Afinal, entre as várias coisas que temos em comum, esta didática é algo que permanece. Pois bem:
Encaremos a vida como uma corrida de revezamento. Nossa vida é um combinado de várias pessoas - que fomos/ somos / seremos - que, invariavelmente, em algum momento, devem passar o bastão para o próximo da equipe. E é tão necessário quanto bom que isso aconteça.
Seguindo este pensamento, me vejo como a Nathalia que está sendo acionada agora, neste momento da prova. Nada foi em vão e eu não poderia assumir nada se você não tivesse corrido até aqui. Se não tivesse se esforçado, suado e, sobretudo, se você tivesse desistido no meio do caminho.
Acontece que você foi forte, dura e chegou até mim. E nesse ponto, a prova-vida impõe que a troca seja feita. É preciso que me passe o bastão e me deixe seguir, sou eu quem irá assumir a partir de agora.
Veja bem, não é nada contra você, muito menos ao meu favor. É só a vida sendo do jeito que é. São suas regras impostas, está no regulamento.
Portanto, a transferência desse bastão tem que ocorrer e isso pode acontecer de formas mais ou menos tensas.
Não acredito que possa existir uma renúncia da sua parte sem dor ou pesar. Seria injusto (e até cruel) esperar por isso.
Meu pedido é, apenas, para que solte este bastão comigo agora. Sinto como se eu já o tivesse nas mãos, mas junto dele, carrego também o seu peso insistente. Que não larga, não abre mão.
Quero que entenda que essa atitude prejudica a nós duas e a toda equipe. É o resultado do seu próprio trabalho até aqui que será afetado se seguirmos nos "atrasando" nessa transição.
Entenda que para que você percorresse todo o caminho até aqui, foi necessário que alguém lhe passasse a vez, como te peço agora. Sei que esta outra transição deve ter sido mais tranquila, considerando a idade da competidora que teve que ceder. Penso que ela não devia ter a consciência e o apego tão formados e desenvolvidos como temos hoje.
Pensei muito em como fazer para deixar este momento menos doído e em como te trazer o sentido que você fez e faz. Vou tentar.
Começando por deixar claro que nada está sendo tirado de você. Não tem vida sendo suprimida e você, definitivamente, não está sendo prejudicada. Esta etapa de agora está sob os meus cuidados, isso é meu! E nem é tanto porque eu queira ou faça questão. É só porque tem que ser assim. Se a inércia te leva a querer seguir o movimento, também estou tendo que lutar para deixar meu conforto e me movimentar. Os fins e começos são, na maioria das vezes, mais difíceis e exigem certa quantidade de dor e esforço. O corpo está seguindo um caminho, ritmo e padrão quando, de repente, se vê obrigado a mudar de condição.
Nós duas precisamos nos adaptar. Interromper o que nos foi automático até aqui para atender as demandas reais do que está acontecendo agora. E de realidade eu entendo mais.
Foi bom e importante ter você a frente durante todo esse período. Suas fantasias e ilusões coloriram de forma compatível a grande tela em branco que é a vida adolescente. Os sonhos de ser atriz pela fama, sucesso e autoafirmação que isso te traria eram mais leves e cabiam de forma exata ao seu tamanho. Os sonhos não tinham a obrigação de serem reais - e nem de se realizarem - e, então, foram seguindo ali... Ao seu lado, ocupando um espaço que não era espaço de mais nada. Era deles. Estava tudo certo. Dava para fugir para aquele cantinho sempre que a vida crua começava a endurecer mais um pouco. Eles aliviavam, projetavam...
Acontece que agora: não mais. A vida pede por realidades e realizações e é preciso, então, buscá-las. Mesmo que estejam (e estão) fora dessa coleção de fantasias e projeções construídas.
Ser adulto (ou, se tornar um) exige muito mais escolhas do que você consegue prever. E foram exatamente elas - suas escolhas - que nos trouxeram a este ponto. Realizar meramente todos os itens da sua lista de projeções, seria abrir mão de todo o sabor da realização consciente que a vida te apresentou e de toda a intuição do "que é bom pra gente" que brotou em você a cada passo.
Parabéns pela firmeza e resiliência. Por ter se permitido experimentar, por ter se desconstruído tantas vezes e por desmistificar conceitos tão enraizados de certo e bom. Isso te dói, eu sei. Não foi e ainda não é fácil ver um reflexo tão diferente daquele que fantasiava. Por isso te peço insistentemente para que me deixe seguir daqui. Eu já venho com essa aceitação. Não vou querer transformar minha vida em algo plano como são os contos de fada. Eu não acredito na felicidade das princesas. Sei que a vida é mais que um conto, não acredito em fadas.
Eu consigo lidar com o maduro que a vida apresenta. Com cada consequência das suas atitudes - mesmo as impensadas. Eu consigo esperar menos por coisas prontas e mais de mim. Tenho mais força, fé e razão para contar comigo e, neste momento, isso é tudo do pouco que ficou guardado.
De novo: isso não é uma competição e nem uma cartilha de como você deveria ter sido. Isso é como eu sou. Muito por consequência do que você foi. Você deu conta da forma como podia e conseguiu. Me deixe fazer o mesmo, só que diferente.

Um forte abraço.
Foi um prazer ter sido você!

A recordação fica na foto e a inspiração, no horizonte.


Ainda estou aqui, mas já tenho pra onde ir.
Vou só.


segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

.queria. no sentido de que: quero!

Queria - no sentido de que quero, era viver em um lugar que as pessoas não construíssem nada muito espetacular ou sólido acerca de uma pessoa. Não é justo com ela. Nem com todas as outras não-ela.
Queria - no sentido de que quero, que não houvesse diferença de valorização das inteligências, competências, dons e afazeres. 
Queria - no sentido de que quero, extinguir o termo e a ideia de carreira deste lugar. Tudo seria vida mesmo. Na verdade, já é. Só que as pessoas saberiam disso. 
Queria - no sentido de que quero, um mundo de memes. Em que artista seria todo mundo. E ninguém. 
Nada fixo ou planejado. Tudo acontecendo naturalmente - como meme mesmo. Um lugar onde você teria a plena noção de que seus ídolos estariam por aí. E você nem saberia quem são, exatamente. Porque, meio que seria todo mundo. 
Queria - no sentido de que quero - uma TV aberta que fosse ditada e não ditadora. Sem concessões renovadas, sem imagens distorcidas. 
Mas, de tudo tudo. De todas as linhas de coisas que queria - no sentido de que quero, queria mesmo era ser mais precisa nessa questão das diferentes importâncias que as pessoas tem. Que não tem - na verdade, mas que acabam tendo - na mentira.  
É claro que tem música que a gente gosta, filme que a gente chora, programa que a gente assiste, livro que a gente recomenda. 
Tem até time que a gente torce. 
O que parece estranho é essa transformação da música, do filme, do programa, do livro e do time na pessoa, aumentando o valor e o preço dela. 
Até acho que não tem nada de errado em "mal conhecer e já considerar pakas", mas queria - naquele mesmo sentido, que a gente conseguisse aplicar a todos os "mal conhecidos". Ou a nenhum deles. 
E ia ser - no sentido de que será, tudo mais simples. 
Tirando a concentração de importância das celebridades, todo mundo fica importante. Até porque ninguém mais importa (mais). 
Vá você, fazer seu teatro porque você gosta. Porque é bom pra você. Porque você é bom nisso. 
O aplauso vai diretamente para a sua arte. Já você, você mesmo, fica sem esse crédito. Mas, sem descrédito também. Fica igual.
A todo mundo. 
Junto com a carreira, ficaria também extinguido: paparazzi, autógrafo, seguranças de famosos e tabloides. 
Iríamos, do latim iremos, todos ter mais tempo para se importar com o que importa, para cada um. 
Nem a vida, nem a morte de ninguém vai ser mais significativa do que a vida ou a morte de ninguém. Vida vai ser um produto padrão tabelado. 
A partir daí, a gente separa o alho do bugalho. O bugalho vai, o alho, fica. E é o alho que importa. Todo o resto é igualmente indiferente. 
Eu queria - no sentido de que pelo amor de Deus quero muito, é fazer a minha arte em troco de um troco e mais nada. Pelo pleno prazer de fazer.
Pronto. Agora posso voltar a dormir. 
Em tempos de cólera, é mais fácil sonhar dormindo. 
Pela manhã a gente acorda para realizar. 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

.uma hora vai

Nathália da Cruz Martins,
Uma hora vai.
Uma hora, é.
Todas as outras também foram.
Todas as outras são também.
Não tem como adivinhar.
Tem que confiar na vida. Na verdade, não "tem que" nada.
Não confiar também é uma opção. Só que, pior.
Sorria! Isso depende de você.
Todo o resto que não, não.
A ansiedade tira a graça do presente.
Veja só que presente engraçado.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

.deixa não ser

Nada melhor e nem mais saudável do que uma rejeição comprovada.
Dúvida de ter sido ou não rejeitada é uma tristeza... Neeeemmm.
Você fica oscilando o humor, quer consertar o que estragou, não sabe se é a vítima ou o algoz.
Nam!
Bom mesmo é ir lá, na cara da rejeição e falar: "E aí, é tu mesmo? Fui rejeitada? Fala aqui comigo!"
Aí não tem erro. Você vai ter uma resposta. Pois, quando você pergunta, até o silêncio te responde. Te confirma.
E, olha: 9 a cada 10 suspeitas de rejeição, são rejeições mesmo. A outra uma, diz respeito a um outro esdrúxulo tipo de fenômeno tão inexplicável, que é preferível que o seu caso não seja a raridade nessa estatística.
Pronto! Pode respirar devagar e pausado. Pode chorar até dormir e parar de oscilar: a hora é de ficar mal mesmo. O momento é o de pegar a cobertinha e deitar naquele fundinho de poço que é todo seu.
Respire de novo e certifique-se que você não morreu. Que tá viva. Que o sangue corre.
Foi só uma rejeição.
Não foge! Aceita que passa.
Passa.
Passa!
O consolo é esse. Não tá bom agora, mas também não existe "estar bem" o tempo todo.
Deixa ser. Deixa não ser.
#nãotácontigo!

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

.coisas da vida

Oi, Sou Nathália da Cruz Martins Vou Te Decepcionar.
Pode ser que demore, pode até já ter sido.
Não tem como prever.
Nem como evitar.
Também não tem como saber quantas vezes, apenas que serão muitas.
Você pode abrir mão, escolher não dar a cara ao tapa (certeiro) ou decidir, simplesmente, que não vale a pena. Só adianto que, infelizmente, essa não é uma particularidade minha.
Todas as pessoas tem o mesmo sobrenome. Não tem jeito.
Ou você fecha um relacionamento intenso e exclusivo com o Netflix, ou pode achar um jeito de lidar com a decepção de todas as pessoas, a todo momento.
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ERRATA: Netflix decepciona também. Vide as temporadas 2, 3 e 4 de Orange Is the New Black
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Volto  a dizer que você tem todo o direito de escolher não me perdoar pela frustração que causei. Só entenda que isso tem muito mais a ver com você do que comigo:


Rejeição: o monstro embaixo da cama dos adultos. Você não sabe o que pode acontecer, mas só a ideia dela existir já é tão assustadora, que você prefere nem olhar. Rejeitamos para não sermos rejeitados e assim vamos seguindo... Maduros, seguros e auto-enganados.  

Entendo que a rejeição diz muito mais respeito a quem rejeita do que ao "objeto" rejeitado.O meu não, vem muito mais do "não posso", "não tenho" e "não quero" do que do "não merece". 
E é tanto tempo que a gente perde pra explicar e pra entender isso. 
É tanta mágoa da gente mesmo projetada no outro, só pra não ter que olhar debaixo da cama.
É tanta dificuldade em ser simples e tanto texto pra não ter que falar... 



segunda-feira, 28 de março de 2016

.carta para a minha filha negra

Querida,
Há de se investigar mesmo a fonte e a justificativa para todo esse amor que te tenho mesmo antes da vontade de querer tê-la.


Fora isso, quero registrar algumas dicas, conselhos e impressões enquanto mulher negra que muito provavelmente você – se vier a ser - será. Dividimos o mesmo lugar de fala e quero ter o registro fresco desse testemunho que pode se cansar, se perder ou esquecer de te ajudar como acho que deve.

Filha,
Começa tirando da cabeça que “é fácil”. Na verdade, me policiarei para usar o termo “facilidade” com você. Não quero te estimular a buscar ou a esperar essa facilidade. Viva como se isso não existisse e se/quando surgirem tempos fáceis por aí, você certamente irá – além de se surpreender – aproveitar da forma mais genuína possível.


Mas, sejamos mais específicas a respeito de nós, filhas pretas.

Minha boneca, que coragem!


Dá pra ver pela sua pele. Seja qualquer que tenha sido o motivo da sua escolha de vir assim e para mim, presumo que carregue com você a bandeira que quis defender. Existe em algum nível da sua consciência a noção dos inconvenientes – não de ser negra – mas de sê-la nessa sociedade. Que acredite, já foi bem mais resistente a nós.

Não vou me estender muito para te mostrar ou convencer de que você trouxe força necessária – e extra – para passar por aqui. Está tudo aí dentro, acessível e quanto antes você souber disso, menos vai se frustrar ao não encontrar isso fora. Isso não quer dizer, absolutamente, que não possa viver sua fraqueza quando ela precisar existir. E este é mais um tema.

É comum que exijam de nós, mulheres fortes que somos, que sejamos assim sempre. A qualquer tempo e circunstância. Isso diminui, por vezes, o cuidado que costumam (e costumamos) ter conosco. Venho legitimar aqui seu direito de ser guerreira e não querer guerra. E mesmo que não dê para fugir dela, você pode sim se cansar, descansar e respeitar seu tempo e limitações. É importante que se diga “temos nosso próprio tempo” e, sim, temos limitações como todo ser que vive e respira.

Durante muito tempo fomos meros instrumentos que viabilizavam a vida dos outros. Algum tempo se passou, mas por qualquer descuido, vivemos flashes de um déja vu desagradável da época que a avó da sua avó só servia para servir. Isso acabou. Por mais que tentem, sutilmente, nos confundir com versões atualizadas da chibata, é importante que fique claro: acabou.


Só cuidado para que isso não te leve para o outro, e falacioso, extremo que diz: “Isso acabou, não existe herança da escravidão, racismo e preconceito é coisa do passado, já passou, não se faça de vitima, é tudo lindo, todos iguais!”.


Veja: quando eu digo: “isso acabou”, quero te deixar alerta para que não se sujeite, que exija respeito e todos os direitos que conseguimos a duríssimas penas. Quando dizem por aí “isso acabou”, querem acabar mesmo é com qualquer discussão, diminuir a luta e parar o progresso. Como se estivesse tudo ótimo assim, tudo resolvido.

Não está.

Pode até ser que esteja melhor, mas nosso referencial de ruim é tão péssimo que seria até engraçado – se não fosse verdade, pensar que devíamos estar satisfeitos por não estarmos mais apanhando no tronco uma hora dessas.
Não estamos satisfeitos.
Não esteja.

E também não perca muito tempo tentando explicar isso. Muitos não entendem e poderiam defender seus lugares e privilégios valendo-se da meritocracia. Falando nisso, você pode até agir como se ela realmente existisse e tudo dependesse só de você mesmo. Mas, siga lutando para que ela exista de verdade, um dia.

Meu bem, queria poder garantir um lugar mais justo e confortável para você. Queria ter a tranquilidade de te arrumar para a escola sem o medo de pensar nos apelidos que pode ouvir e nas situações que pode passar, por conta da sua cor, do seu cabelo, nariz ou qualquer outra característica diferente da maioria. (Me lembre de discutir com você os conceitos de maioria e minoria que me refiro aqui).

Meu medo maior não é que passe por situações desagradáveis. Até porque isso é inevitável. Meu pânico é de você achar que tem algo errado com você, por conta da sua linda, inegável e indisfarçável aparência negra. Nem sei o que sinto quando penso que tão logo você comece a se perceber como ser independente de mim e inicie sua socialização, tenha que lidar com conflitos que eu hoje, aos 26 anos, ainda não sei resolver bem.  Por isso vou usar do caps lock aqui para dizer que NÃO HÁ PROBLEMA COM A SUA COR, SEU CABELO, SEU NARIZ. O problema é de quem acha que isso é um problema. Por favor, você já vai ter vários obstáculos para passar nesse mundo. Não se culpe pela dificuldade dos outros. Deixe que eles se resolvam enquanto desrespeitamos o que eles pensam que é regra.

Permita-me corrigir a afirmação de que você tem uma cor, um cabelo ou um nariz diferente. A palavra diferente exige um referencial e nós não precisamos ter isso. Você é diferente dele/dela, assim como ele/ela é diferente de você.

Espero amenizar a sensação de “estranha no ninho” sendo referência estética do que (também) existe por aí. Por mais que a apresentadora do seu programa favorito, a protagonista do seu filme predileto, grande parte dos seus brinquedos, professores e médicos não sejam capazes de revelar isso: somos maioria! (Aqui rediscutimos novos conceitos de maioria e minoria).

Filha, não precisa saber cantar nem sambar, assim como seu irmão não precisa jogar futebol. Tá tudo bem se você escolher o que quiser e o que gostar. Temos grandes referências de negros nessas áreas, mas não temos obrigação nenhuma de nos contentar com só esse pedacinho do bolo. A torta toda é nossa também. Pegue a fatia que lhe apetecer. E por favor, livre-se da obrigação de ser a “mulata gostosa e boa de cama”. Conversaremos mais até lá, mas adianto que isso não valoriza a gente como fazem parecer.

Aconselho não alisar seus cabelos, mas isso você também vai poder decidir. Eu precisei viver uma transição capilar (e de identidade) para entender muito do que estou tentando de explicar aqui. Não quero me projetar em você e é indispensável que tenha, escolha e viva sua própria trajetória. Só peço que lembre-se todos os dias – ao  dormir e ao acordar – de se respeitar e não decidir nada por vontades externas. Busque, ao máximo, se aproximar da pessoa que “nasceu para ser”. Você saberá entender isso. Só você, no caso.

Na vida amorosa, veja bem: AMOROSA, as pessoas que nos chegam já passam por um filtro, na minha percepção, favorável.


Quem escolhe estar com a gente (estar ≠ transar), escolhe colocar um pezinho junto na luta. Em geral, não existe muita conveniência nessa escolha e isso diminui, consideravelmente, companhias por conveniência. Sem contar que parceiros que tenham a mínima noção do que é ser uma mulher negra com suas implicações sociais e permitem-se apaixonar-se por uma, são, incrivelmente, mais interessantes do que aqueles que se interessaram por você, mas não foram firmes no contra-fluxo. Tem também aqueles que em um nível menos consciente, se podaram ao pensar que “tinha alguma coisa errada” sem nem mesmo refletir sobre. – Não queira quem não reflita sobre.


Não quero te estimular a nutrir sentimentos ruins ou a desprezar ~certas pessoas ~. Entenda que eles não fazem por mal. Fazem pro bem. Deles mesmos. E não é bom que tenha ao seu lado alguém que só quer e pensa no seu próprio bem, né? Não sofra por quem só sofre por si mesmo. E nem inveje quem quer que seja que ~ certas pessoas ~ escolham ou assumam para um relacionamento. Acredite: essa pessoa está fazendo isso mais por si do que por quem quer que seja. ♫ Que sorte a nossa! ♪

Filha, temos conteúdo para uma carta de rolo maior do que a paciência que precisará ter com quem vier te questionar sobre ~~ Racismo Reverso ~~.

Mas, vou ficando por aqui.
Em tempo: ouça Karol Conka



Beijos com amor,



Mami.


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sexta-feira, 4 de março de 2016

.tudo se encaminhando

Quando eu pensei que estava tudo se encaminhando, lembrei que o caminho é meu e se eu não estava indo para lugar algum, quem dirá esse tudo.
Aí pensei que quanto menos pensar, melhor seria.
Depois pensei em pensar menos.
Mas pensar menos ainda é pensar. Não há espaço para divagar sobre intensidade.
Não é como sentir a fome chegando. Pensar em não pensar já é pensar.
Fazer pouco já é fazer?
Fazer nada conta também?
Conta.
E essa conta não bate.
Fiquei bem.
Escutei aquela música e lembrei que se já fui tão feliz é porque consigo.
Consegui.
Depois o alarme tocou.
Logo na hora que eu pensei que estava tudo se encaminhando...